Fragrâncias em cosméticos: 2 maneiras simples de como perfumar formulações de forma segura

fragrâncias-em-cosméticos

Como utilizar de forma correta fragrâncias em cosméticos para obter formulações perfumadas e seguras

 

Pesquisas [1] com consumidores de cosméticos mostram que para 60% dos franceses uma fragrância agradável é uma das características mais importantes na hora de escolher cosméticos de banho, e que 53% dos alemães cheiram os sabonetes e shampoos antes de comprar.

No Brasil não é diferente. Uma pesquisa [1] de mercado mostrou que 85% dos brasileiros estão dispostos a pagar mais por um desodorante que possua uma fragrância que eles realmente gostem. Assim, as fragrâncias em cosméticos são percebidas e valorizadas pelo consumidor, criando desejo de compra e de recompra.

Porém, embora as fragrâncias em cosméticos sejam requisitos de compra e aceitação dos produtos, elas estão em primeiro lugar[2] na lista dos componentes dos cosméticos que mais causam irritação e hipersensibilidade de contato.

A hipersensibilidade às fragrâncias geralmente ocorre na forma de dermatite alérgica de contato, urticária e reações de fototoxicidade.[2] Alguns componentes de perfumes (como o óleo de Marigold) podem causar dermatites por fotossensibilização, fototoxia ou fotoalergia, e as fragrâncias em geral podem ocasionar ainda reações sistêmicas por inalação. [3]

As essências ou fragrâncias em cosméticos são responsáveis pelo perfume, cheiro e odor que se deseja dar para um produto, e como são essenciais para a aceitação do cosmético pelo cliente, é preciso encontrar opções de fragrâncias não irritantes para a pele.

As fragrâncias em cosméticos de origem sintética podem conter, aproximadamente, até 200 componentes, sendo difícil a identificação de todos aqueles potencialmente alergênicos. As fragrâncias naturais são geralmente mais aceitas em comparação com as de origem sintética devido à tendência mundial de vegetalização das matérias-primas utilizada em cosméticos ~gravei um vídeo sobre ‘como usar a vegetalização para criar produtos cosméticos de sucesso’, clique aqui e assista~. Porém, embora pareçam menos agressivas, as fragrâncias naturais possuem muitos compostos potencialmente alergênicos, como o eugenol, o geraniol e o hidroxicitronelal. Esses compostos presentes nos óleos essenciais possuem potencial alergênico e fazem até parte de uma mistura de oito fragrâncias (Fragrance Mix) comumente usada como padrão para testes de alergia de contato.[2]

Entre as opções mais seguras podemos citar o extrato aromático de blueberry e as Biopérolas Francesas.

Está gostando desse artigo? Cadastre-se abaixo!

Novos artigos são enviados em primeira mão por e-mail.

[captura]

 

Extrato aromático de blueberry

Os extratos aromáticos naturais surgiram no mercado como opção para deixar os produtos cosméticos com cheiro agradável sem usar fragrâncias, sendo muito úteis para mascarar odores das bases cosméticas. Eles são obtidos apenas por processos físicos, sem alterações químicas dos componentes. Os extratos aromáticos são, assim, frações voláteis de plantas extraídas fisicamente, sempre a partir de um único gênero ou espécie vegetal. Dessa forma eles deixam a formulação perfumada e ainda apresentam os benefícios botânicos conforme a planta utilizada. Outra vantagem é que permitem que o produto seja classificado como fragrance-free, pois possui INCI Name igual ao respectivo extrato botânico (e não Fragrance). [4]

Um excelente exemplo é o extrato aromático de blueberry (INCI Name: Vaccinium Angustifolium (Blueberry) Fruit Extract). Ele é feito por extração física das frações voláteis do blueberry, sem alterá-las quimicamente, e é um produto não alergênico, sendo comprovadamente isento de compostos alergênicos. [4]

 

Biopérolas Francesas

As Biopérolas Francesas (INCI Name: Fragrance) são fragrâncias de alta tecnologia desenvolvidas na forma de microcápsulas com ingredientes utilizados na perfumaria fina francesa. Há seis opções de fragrâncias disponíveis, que proporcionam uma experiência olfativa única e luxuosa. [5]

As composições olfativas das Biopérolas Francesas foram desenvolvidas com matérias-primas vegetais de plantações da Provance (França), como mimosas, lavandas, lavandins, iris, jasmins e bergamotas. Estas são coletadas no seu mais alto pico funcional e com frações ativas concentradas. As Biopérolas Francesas são certificadas pela Ecocert France devido a origem vegetal, sustentável e biodegradável por não gerar resíduos prejudiciais ao meio-ambiente. Além disso, são hipoalergênicas e podem ser utilizadas em peles sensíveis. [5]

Abaixo segue um resumo sobre os principais tipos de fragrâncias/essências disponíveis, com suas vantagens e desvantagens.

 

Fragrância sintética

  • INCI Name: fragrance
  • Impressão olfativa muito complexa
  • Benefícios aromáticos
  • Potencialmente alergênico

 

Fragrância natural

  • INCI Name: fragrance
  • Impressão olfativa complexa
  • Benefícios aromáticos
  • Potencialmente alergênico

 

Extrato aromático natural de bluebery

  • INCI Name: Vaccinium Angustifolium (Blueberry) Fruit Extract
  • Impressão olfativa simples
  • Benefícios aromáticos, botânicos e fragrance-free
  • Hipoalergênico

 

Biopérolas Francesas

  • INCI Name: fragrance
  • Impressão olfativa muito complexa
  • Benefícios aromáticos
  • Hipoalergênico

 

Portanto, você aprendeu aqui o quanto é importante o uso de fragrâncias em cosméticos para o sucesso da sua formulação e aceitação pelo cliente, mas na hora da escolha das fragrâncias é preciso optar por aquelas que são mais seguras e não irritantes para a pele, como o extrato aromático de blueberry e as Biopérolas Francesas.

 

Você gostou desse artigo?

Espero que sim e adoraria saber sua opinião! Deixe seu comentário abaixo sobre o que você mais gostou ou até mesmo alguma crítica sobre esse artigo.

O objetivo desse artigo é contribuir para a elevação do nível técnico de profissionais da área. Para qualquer orientação procure sempre um profissional habilitado como um dermatologista ou farmacêutico.

 

Referências:
[1] Mintel. [Fragrance in cosmetics. the smell of success.] In-Cosmetics Hamburg April 2014. Disponível em: <http://www.in-cosmetics.com/RXUK/RXUK_InCosmetics/2014-website/Marketingtrends/1April_1500-1545_GlobalScentTrendsTheUseOfFragranceInCosmetics_Mintel.pdf?v=635321269626019192> Acesso em 28 de junho de 2016.
[2] Zukiewicz-Sobczak WA, Adamczuk P, Wróblewska P, Zwoliński J, Chmielewska-Badora J, Krasowska E, Galińska EM, Cholewa G, Piątek J, Koźlik J. [Allergy to selected cosmetic ingredients.] Postepy Dermatol Alergol. 2013 Oct;30(5):307-10. PMID: 24353491 [PubMed]
[3] Co-citação de: VIGLIOGLIA, P.A & J. RUBIN. Cosmiatria II. AP Americana de Publicaciones, Buenos Aires. 1991. Disponível em: <http://www.ativosdermatologicos.com.br/upload/img/13_1207_toxicidade.pdf> Acesso em 28 de junho de 2016.
[4] Material do fabricante Carrubba. Disponível em: <http://carrubba.com/fragrances/> Acesso em 28 de junho de 2016.
[5] Material do fabricante Biodiversite. Disponível em: < http://www.biodiversite.com.br/produto/6#conteudo> Acesso em 28 de junho de 2016.