6 equipamentos básicos para você montar um laboratório cosmético

laboratório cosmético

Deseja montar um laboratório cosmético? Conheça alguns equipamentos essenciais para realizar um excelente trabalho na criação de formulações.

 

O mercado de cosméticos e produtos de beleza é um dos setores econômicos que mais cresce mundialmente e, de acordo com Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), isso também ocorre no Brasil, mesmo com a retração da economia no país nos últimos anos.

Se você também sonha em entrar para esse importante setor, e, principalmente, em criar seu próprio laboratório cosmético, é preciso ficar bastante atento às inovações e tendências do mercado (lembre-se: a qualidade na criação de cosméticos é fundamental para que o produto seja aceito pelo consumidor final) e compreender todos os aspectos regulatórios envolvidos. Além disso, para você montar seu próprio laboratório cosmético, tanto em uma indústria quanto em uma farmácia, é preciso investir inicialmente em alguns equipamentos que eu considero essenciais.

A manipulação de fórmulas cosméticas requer alguns equipamentos básicos, por isso, se você está pensando em ter um laboratório cosmético não deixe de ler este artigo, onde mostro seis equipamentos básicos e sua importância na produção de cosméticos.

 

1. Agitador

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Vou começar falando do agitador, que é o equipamento da mistura. Por mais que pareça simples ou básica a sua função (de agitação das formulações), ter um agitador adequado é muito importante. Uma das principais etapas do processo de manipulação de cosméticos consiste na mistura adequada dos componentes. Essa etapa influencia diretamente a estabilidade, a duração do produto e a manutenção de suas características iniciais, ou seja, se você se descuidar da etapa da mistura você pode perder todo o lote de um produto. A agitação correta ajuda a evitar a total separação das fases dispersa e contínua (coalescência), a sedimentação e a floculação, melhorando a estabilidade das formulações.

Por isso invista em um bom agitador para seu laboratório cosmético, pois a correta agitação e mistura é um processo que influencia diretamente na qualidade das suas formulações. A fase da homogeneização é importante para todos os tipos de cosméticos: shampoos, géis e emulsões em geral. No caso das emulsões, a agitação promove uma melhor dispersão da fase oleosa na fase aquosa (no caso de emulsões O/A. Como a água e o óleo são líquidos que não se misturam, é necessário fornecer energia mecânica para que as gotículas de óleo sejam reduzidas e distribuídas de modo homogêneo na fase aquosa. Somente com uma agitação certa será possível otimizar a mistura entre os componentes e criar boas formulações cosméticas emulsionadas. No preparo de cremes e loções – emulsões simples, com baixa carga oleosa – utilize uma agitação de 1500 a 2500 rpm. Essa velocidade já será suficiente para promover homogeneização entre as fases envolvidas.

Na produção de formulações fotoprotetoras – caracterizadas por possuir altas concentrações de componentes oleosos – utilize alta agitação. A velocidade de 3000 a 3500 rpm garante a boa homogeneização do sistema, maior estabilidade e menor risco de separação de fases. Na estabilidade de fotoprotetores a agitação/homogeneização é muito importante (caso queira saber mais sobre homogeneização de fotoprotetores, veja nossa dica técnica). É fundamental que você fique atento à agitação correta empregada na fase de emulsificação (quando se adiciona a fase oleosa à fase aquosa). Isso implicará diretamente na aparência do produto final – brilho, consistência, textura e sensorial – bem como nas características inerentes a esse tipo de formulação como FPS, PPD e estabilidade da fórmula. Lembre-se: nunca descuide da agitação da sua formulação cosmética.

No caso de shampoos e sabonetes líquidos, a regra é outra: primeiramente se faz a dispersão do espessante hidrofílico em água, sob agitação intensa, até que um gel homogêneo seja formado, e em seguida se adiciona os agentes tensoativos e demais ingredientes da formulação, um a um, misturando suavemente (não se deve realizar uma agitação intensa para se evitar incorporação de ar e formação de espuma) até a completa homogeneização.

Você deve adquirir um agitador que esteja de acordo com a sua real necessidade. Um agitador rotativo, por exemplo, é capaz de atender às principais necessidades de um laboratório cosmético. Ele é composto basicamente por quatro partes: motor, redutor, eixo e rotor ou hélice.

No mercado existem diferentes tipos de hélice ou rotor, e você precisa conhecê-las para saber quais e quando usar. Veja as diferenças:

  • Hélice centrífuga: utilizada exclusivamente para homogeneização e cisalhamento.
  • Hélice âncora: eixo de baixa rotação, ideal para produtos de alta viscosidade.
  • Hélice pá: é utilizada para agitação no eixo de baixa rotação.
  • Hélice naval: utilizada em sistemas com viscosidade baixa.

Quando for realizar o processo de compra é importante ainda verificar se o equipamento apresenta características como:

1) ser indicado para produtos semiviscosos;

2) possuir tacômetro digital, timer para programação de tempo e indicação de % de torque (permitindo a padronização do processo de homogeneização);

3) ter rotação regulável de até 5.000 rotações/minuto (rpm);

4) apresentar eixo de acionamento para alta rotação e alto torque.

 

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2. Chapa de aquecimento

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Esse é o equipamento para aquecimento das suas formulações (chapa aquecedora). As chapas aquecedoras são equipamentos que permitem realizar a etapa de aquecimento durante a realização da manipulação e controlar a temperatura do processo. O aquecimento do sistema também é um processo fundamental, e possuir uma chapa de aquecimento que permite obter um controle adequado do processo de aquecimento permite que não ocorra excesso e nem falta de calor ao sistema.

No processo de formulação de cosméticos o aquecimento é fundamental para que ocorra uma homogeneização eficaz de sistemas como cremes, loções e fotoprotetores.

Para obtenção de bases dermatológicas excelentes – com boa aparência, brilho e acabamento – é de extrema importância o aquecimento correto dos componentes da formulação. Esse procedimento é um dos pontos críticos do processo de manipulação cosmética e é fundamental para que ocorra uma boa homogeneização entre todas as matérias-primas da fórmula.

Em seu laboratório cosmético provavelmente você pretende trabalhar com muitas matérias-primas que necessitam de aquecimento para serem incorporadas em emulsões. Ceras, manteigas e bases autoemulsionantes são exemplos de componentes que devem ser fundidos para a homogeneização do sistema. Uma vez que se expõe o sistema à energia térmica cria-se condições para que componentes sólidos sofram derretimento, e assim serão melhor incorporados à emulsão. Caso os componentes sólidos não estejam devidamente fundidos (e incorporados), é possível o aparecimento de grumos durante a produção, e sua formulação cosmética não ficará com boa aparência, sensorial ou mesmo estabilidade.

Fique atento para algumas regras práticas sobre o aquecimento:

  • 1) Fases aquosa e oleosa devem ser aquecidas separadamente até que a temperatura se aproxime de 70 a 75°C.
  • 2) Evite aquecer o sistema em temperaturas acima de 75°C, principalmente se houver componentes de origem vegetal na formulação. Muitos desses componentes são sensíveis e podem ser degradados caso a temperatura esteja muito elevada.
  • 3) Somente após o aquecimento das fases, adicione a fase oleosa sobre a aquosa para promover a homogeneização do sistema.
  • 4) A temperatura é um fator que influencia na estabilidade do sistema conservante e de alguns componentes ativos cosméticos. Via de regra, o ideal é adicionar os conservantes e os ativos termolábeis ao final do processo de manipulação, após a fase de resfriamento, em temperaturas abaixo de 40˚C.

O aquecimento correto do sistema é um ponto crítico na produção de emulsões dermatológicas e pode influenciar profundamente as características do produto. Portanto, seja cuidadoso nessa etapa da manipulação e invista em chapas aquecedoras que permitem um controle adequado de temperatura.

 

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3. Balança

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A balança é o instrumento de medida (equipamento de pesagem) usado no laboratório cosmético e dela dependem basicamente todas as formulações. Você irá precisar de uma boa balança para realizar e chegar à medida exata de cada matéria-prima para as suas formulações. Invista em uma balança semianalítica para pesagens com precisão de até 0,001 grama e em uma balança analítica para se ter precisão de pesagem de até 0,0001 grama.

As balanças analíticas modernas, que podem cobrir faixas de precisão de leitura da ordem de 0,1 µg a 0,1 mg, já estão bastante aperfeiçoadas. Mas é preciso alguns cuidados para garantir a confiabilidade das pesagens e vida útil de sua balança.

A precisão e a confiabilidade das pesagens estão diretamente relacionadas com a localização da balança. Entre as principais características da sala de pesagem, podemos destacar: ter apenas uma entrada, ter o mínimo de janelas possível (evite a luz direta do sol e correntes de ar), e ser pouco suscetível a choques e vibrações.

Fique atento também se a bancada na qual você pretende colocar a balança é rígida e estável, é antimagnética (não usar metais ou aço) e protegida das cargas eletrostáticas (não usar plásticos ou vidros). A bancada precisa estar firmemente apoiada no solo ou fixada na parede, de modo a transmitir o mínimo de vibrações possível, e ser bem rígida (não pode ceder ou vergar durante a operação de pesagem). Uma dica é instalar as balanças nos cantos da sala de seu laboratório cosmético, pois essas posições geralmente são as mais rígidas da construção.

A balança é um dos equipamentos que exige mais cuidado. Lembre-se de manter a temperatura e a umidade da sala constante (entre 45% e 60%) , não permitir a incidência de luz solar direta (uso de lâmpadas fluorescentes é menos crítico), não pesar próximo a irradiadores de calor e evitar pesar perto de equipamentos que usam ventiladores (ex.: ar condicionado, computadores, etc.) ou perto da porta. Além disso, mantenha sempre a câmara de pesagem e o prato de pesagem limpos, verifique sempre o nivelamento da balança e lembre-se de calibrar a balança regularmente, principalmente se ela estiver sendo operada pela primeira vez.

 

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4. Estufa

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A estufa é o equipamento para aquecimento que permite acumular e conter calor dentro de uma câmara interna, mantendo uma temperatura específica por períodos determinados de tempo. É muito importante você adquirir uma estufa pois ela será utilizada em seu laboratório cosmético para a realização de testes de estabilidades em amostras de formulações. Esses testes usam temperatura entre 40 a 50°C (por isso compre estufa que atenda a essa faixa de temperatura) que aceleram suas reações físico-químicas.

O estudo de estabilidade em estufa é um método que simula a ação do tempo na formulação de uma forma muito mais rápida. Esse teste permite fazer uma triagem entre as amostras e verificar quais delas têm maiores chances de permanecer estáveis.

Dentre os vários modelos de equipamento para controle de temperatura (estufa) existentes no mercado, os que possuem controlador eletrônico e indicação digital de temperatura são muito indicados pela sua maior facilidade no manuseio, controle e leitura de dados.

Além disso, você também deve pensar em adquirir um equipamento para refrigeração (refrigerador). Você irá utilizá-lo na realização de testes de estabilidade, e também como local para o armazenamento de matérias-primas. Assim como na estufa, no refrigerador a amostra submetida ao estudo de estabilidade também é mantida em condições extremas de temperatura (nesse caso 5 ± 2°C). Ao adquirir um refrigerador para o seu laboratório cosmético, é importante que ele seja na medida que atenda às necessidades desse ambiente. Em muitos casos, um mini refrigerador já consegue suprir as necessidades do local, sem que seja preciso adquirir um refrigerador comum que irá ocupar um espaço muito maior do que o necessário.

 

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5. pHmetro

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Você formulador sabe que é preciso ter atenção também ao pH das formulações. O pH é importante na estabilidade dos cosméticos, sendo que variações de pH podem comprometer o sistema conservante e outras matérias-primas da formulação, e também importante para compatibilidade cutânea (o pH médio da pele – fisiológico – varia de 4,6 a 5,8).

O pH final é importante na estabilidade dos componentes de uma emulsão. Abaixo do pH 3,4, os ésteres de ácidos graxos, presentes na fase oleosa das emulsões, tendem a hidrolisar e, como resultado, o produto pode apresentar odor desagradável. Variações de pH também podem comprometer o sistema conservante. No caso de fotoprotetores o pH desejável deve estar entre 6,0 e 7,0, pois um pH muito ácido pode ainda modificar a deslocalização dos elétrons na molécula dos filtros solares, e o produto passa a absorver radiação solar em um comprimento de onda fora do desejado, o que prejudica a sua eficácia.

O valor do pH influencia bastante a eficácia de cosméticos capilares. Como a cutícula capilar apresenta um ponto eletricamente neutro sob um pH de 3,8 (ponto isoelétrico do cabelo), cosméticos com pH mais ácidos possuem melhor efeito condicionante, desembaraçante e redutor de frizz por diminuírem a carga eletrostática dos fios. Para shampoos e outros produtos de limpeza de uso infantil, a grande preocupação é o contato acidental com a mucosa ocular que pode causar ardor e desconforto às crianças. Por isso, nesse caso, se utiliza um pH próximo da neutralidade ( pH= 7,0).

Assim, outro equipamento básico que considero de alta importância na produção de cosméticos é o pHmetro.

O pHmetro (equipamento para a medição de pH) é um equipamento muito prático e permite um controle e monitoramento do pH da formulação (lembrando que a escala de pH varia de 0 a 14). O tipo mais comum é o de bancada, mas existem também os formatos portáteis. Existe ainda a possibilidade de fazer a medição do pH utilizando o papel indicador universal, mas considero mais preciso e com melhor custo-benefício ter um equipamento medidor de pH. Assim como no caso das balanças, é muito importante garantir que o aparelho esteja calibrado para evitar erros nos valores das medições.

 

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6. Viscosímetro

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Outro equipamento que merece destaque é o viscosímetro (equipamento para medição de viscosidade). A viscosidade das formulações, além de influenciar na aparência e praticidade de uso pelo consumidor final (ninguém quer um shampoo que escorra pelos dedos, por exemplo), é um importante fator que deve ser considerado na estabilidade das formulações. O aumento da viscosidade geralmente melhora a estabilidade das emulsões, além de evitar que ocorra a sedimentação de matérias-primas dispersas na formulação. Você precisará investir em um bom viscosímetro caso deseje manipular emulsões, géis, produtos esfoliantes, shampoos e sabonetes líquidos.

O viscosímetro é um equipamento capaz de medir a viscosidade, ou seja, a resistência interna de um fluido ao fluxo. Existem vários tipos de viscosímetros, sendo que o mais utilizado em formulações cosméticas, pela facilidade no manuseio e medição, é o viscosímetro rotativo. Nesse tipo de viscosímetro o elemento rotante deve apresentar um torque que permita a sua rotação constante, e com o valor da medida desse torque é possível obter a medição da viscosidade.

 

Após adquirir esses equipamentos certifique-se da organização deles em seu laboratório cosmético. É preciso que os equipamentos fiquem distribuídos pela bancada com espaços que permitam o seu manuseio sem obstrução ou dificuldade de condições de uso. E lembre-se de manter sempre todas as calibrações em dia.

Gostou desse artigo? Espero que ele seja útil para você, que tem dúvidas sobre os equipamentos básicos de um laboratório cosmético.

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