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Óleos vegetais em cosméticos

Cleber Barros
Escrito por Cleber Barros em 2 de julho de 2021
9 min de leitura
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Principais diferenças e benefícios dos óleos vegetais em cosméticos

Introdução

Óleos vegetais são componentes lipofílicos e não polares, de composição complexa. São amplamente usados em cosméticos por conta de suas propriedades de hidratação, condicionamento, formação de filme, lubrificação e brilho. Podem ser incorporados em diversos sistemas, como emulsões, sistemas anidros e até sistemas de limpeza. Nesse artigo irei falar sobre suas principais características e benefícios.

Óleos Vegetais

Os óleos vegetais são produzidos pelas plantas como fonte de energia, com a maior concentração presente nas sementes e frutos. 

Cerca de 95% dos óleos vegetais são compostos principalmente por triglicerídeos, assim como concentrações menores de mono e bi-glicerídeos. Triglicerídeos são compostos por três moléculas de ácido graxo esterificadas em uma molécula de glicerol. O óleo de coco e óleo de palma, contêm, em sua maior parte, ácidos graxos saturados, enquanto a maioria dos demais óleos contêm ácidos graxos insaturados (ácido oleico, ácido linoleico e ácido linolênico). 

Os outros 5% da composição dos óleos vegetais contêm diferentes substâncias, em diferentes proporções, como fosfolipídeos, glicolipídeos, sulfolipídeos, ceras (porção saponificada) e hidrocarbonetos, como esqualeno, pigmentos na forma de carotenóides e clorofila, vitamina E, fitosteróis, polifenóis e álcoois triterpênicos (porção não saponificada).

A porção não saponificada dos óleos vegetais (ou seja, a que não é constituída de ácidos graxos) pode ser definida como a porção que não consegue ser transformada em sabão. É composta por hidrocarbonetos, álcoois lineares, álcoois diterpenos, polifenóis, vitamina, entre outros componentes. Essa porção é importante para a função biológica dos óleos vegetais e possui potencial antioxidante. A atividade antioxidante vem de tocoferóis, carotenóides, triterpenos, flavonóides e ácidos fenólicos, que atuam contra as espécies reativas de oxigênio. 

Saturação e Insaturação

A classificação dos ácidos graxos pode variar de acordo com a presença ou ausência de ligações duplas. Ácidos graxos saturados não contêmm ligações duplas, enquanto ácidos graxos monoinsaturados contêm uma ligação dupla, e ácidos graxos poliinsaturados contêm duas ou mais ligações duplas.]

Imagem 1: Ácido graxo saturado (acima) e ácido graxo insaturado (abaixo)

Classificação pela composição de ácidos graxos

Uma das características mais importantes dos óleos vegetais é a sua composição graxa, ou seja, quais ácidos graxos estão presentes em sua composição. Na tabela abaixo é possível ver alguns ácidos graxos presentes em óleos vegetais, assim como presença ou falta de saturação e suas propriedades. 

Tabela 2 – Ácidos graxos e seus benefícios nos cosméticos 

Designação SimbólicaSaturaçãoNomePropriedades em cosméticos
C12:0SimÁcido LáuricoO ácido láurico potencializa a proteção antimicrobiana da pele, uma vez que possui propriedades antimicrobianas e antibacterianas e atua contra vários patógenos. É usado no desenvolvimento de produtos como sabão e cremes. 
C14:0 Sim Ácido Mirístico Auxilia no fortalecimento da barreira protetora da pele e possui propriedades lubrificantes. Pode ser usado para o espessamento e estabilização de emulsões, além de aumentar a penetração cutânea de outros componentes.
C16:0Sim Ácido Palmítico Agente de consistência
C18:0 SimÁcido EsteáricoAuxilia a restaurar as propriedades protetoras da pele. Pode ser usado como espessante de cosméticos sólidos. É usado em concentrações de 2 a 5% para cremes e loções, e 25% para produtos sólidos. 
C18:1 9CMonoinsaturadoÁcido oleicoRestaura a função de barreira e mantém a pele hidratada. Usado na produção de cremes e outros cosméticos.
C16:0, C18:0 Ácido Palmítico, Ácido EsteáricoAgente de consistência

Fonte: Adapatade de OSWELL, Natalie J.; GUNSTONE, Frank D.; PEGG, Ronald B. Vegetable Oils, 2020.

Imagem 2: Estrutura de um ácido graxo. Fonte: Lipid lore: Oils Fats and Waxes. Cosmetics Business, 2019.

A análise dos óleos vegetais encontrados em cosméticos mostra que a concentração de ácidos graxos pode variar. Os óleos vegetais são líquidos em temperatura ambiente (exceto o óleo de coco e de palma) e as características dos ácidos graxos é um fator determinante nesse aspecto. A presença de ácidos graxos saturados em alta concentração, por exemplo, tende a aumentar a solidez dos óleos. Já a presença de insaturação, por sua vez, favorece a liquidez dos óleos.

Imagem 3: Principais componentes em óleos vegetais

A imagem acima (imagem 3) mostra os principais componentes de óleos vegetais. Ácidos graxos (da esquerda para a direita): ácido láurico, ácido palmítico, ácido oleico, ácido linoleico e ácido linolênico. Descrição dos óleos (da esquerda para direita): Óleo de colza, óleo de nozes, óleo de girassol, óleo de oliva, óleo de girassol com alta concentração de oleico, óleo de semente de uva, óleo de amendoim, óleo de linhaça, óleo de coco e óleo de soja. 

Imagem 4: Composição geral dos óleos vegetais

Na imagem acima (imagem 4) é possível observar componentes presentes em menor concentração na composição de óleos vegetais. Esses componentes estão presentes em uma concentração de, normalmente, 5%.

Compostos fenólicos

Compostos fenólicos estão presentes nos óleos em diferentes concentrações. São os principais antioxidantes encontrados no óleo de oliva, um óleo muito conhecido pelos seus benefícios. As subclasses em maior quantidade no óleo de oliva são álcoois fenólicos, ácidos fenólicos e flavonóides. O óleo de semente de uva também contém alta concentração de compostos fenólicos semelhantes, incluindo flavonóides, ácidos fenólicos e taninos, além de catequinas, epicatequinas e trans-resveratrol.   

Triterpenos

Triterpenos são encontrados em diversas espécies vegetais, e normalmente fazem parte de uma pequena fração dos constituintes dos óleos vegetais. Esse grupo de compostos possui diferentes moléculas que participam de diversas reações biológicas. Triterpenos podem induzir migração celular, proliferação e deposição de colágeno. Triterpenos também podem aumentar o reparo tecidual, diminuindo o tempo de fechamento da feridas e modulando a produção de espécies reativas de oxigênio no microambiente da cicatriz. 

Betulina, uma forma de triterpeno, já mostrou acelerar o processo de cicatrização. Em uma cultura de queratinócitos, a betulina aumentou os níveis de mRNA de quimiocinas, citocinas pró-inflamatórias e mediadores importantes para a cicatrização. Triterpenos são abundantes na manteiga de karité.

Esquema: Benefícios da aplicação tópica dos óleos vegetais (esquema)

Fonte: Adaptado de LIN, Tzu-Kai; ZHONG, Lily; SANTIAGO, Juan Luis. Anti-inflammatory and skin barrier repair effects of topical application of some plant oils.

Polaridade dos óleos e comportamento em emulsão

Em cosméticos, principalmente em emulsões, dois ingredientes são amplamente usados: água e óleos. Como sabemos, ambos os componentes não se misturam naturalmente. A água é uma molécula polar formada por dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio. O óleo, entretanto, é um termo que descreve um material que é lipofílico e hidrofóbico. Portanto, o óleo, diferente da água, é um componente que possui vários outros componentes em sua composição. 

Hidrocarbonetos são óleos não polares. Eles não possuem um elemento eletronegativo como o oxigênio. Além disso, materiais não-polares possuem elétrons organizados de forma simétrica na molécula. Óleos polares, por sua vez, contêm heteroátomos que diferem na eletronegatividade, uma vez que os elétrons são organizados de forma assimétrica na molécula. Isso resulta em um momento dipolar. Óleos polares típicos são os álcoois graxos, triglicerídeos e ésteres. Enquanto eles ainda são insolúveis em água, esses óleos possuem características únicas devido à sua natureza polar. Os silicones (como dimethicone e ciclopentasiloxano), por exemplo, quando comparados com os óleos vegetais, apresentam praticamente nenhuma polaridade. Por isso, muitas vezes óleos vegetais e silicones não se misturam quando presentes no mesmo sistema. 

No caso de emulsões, quando há óleos polares e não polares no sistema, os óleos não polares podem facilitar a desestabilização do sistema, uma vez que eles diminuem a solubilidade dos óleos polares na água. Isso ocorre porque moléculas polares possuem diferentes cargas (uma ponta da molécula é carregada positivamente, enquanto a outra é carregada negativamente). Os óleos não polares, no caso, não possuem elétrons para compartilhar nessa interação. Por conta disso, moléculas polares não se misturam bem com moléculas não-polares. 

Saboaria

A saponificação é um dos processos usados para criação de sabonetes em barra. Nesse processo, triglicerídeos presentes em óleos e gorduras são combinados com uma base forte (normalmente hidróxido de sódio ou potássio), formando sais de ácidos graxos (sabão) e glicerol. A distribuição de ácidos graxos saturados e insaturados dos óleos contribui para aspectos como rigidez, aroma, limpeza, formação de espuma e hidratação do sabão. Óleos vegetais são amplamente usados para a produção de sabonetes em barra.

Na saboaria, ácidos graxos saturados são bons para as propriedades da espuma e consistência da barra, enquanto ácidos graxos insaturados fornecem propriedades hidratantes, condicionantes ou nutritivas para a pele. 

As ligações duplas encontradas em ácidos graxos insaturados são suscetíveis à oxidação, que pode ocorrer durante o processo de saponificação, cura ou armazenamento. A oxidação das duplas ligações pode formar ácidos graxos de cadeia curta, aldeídos, cetonas, odores indesejados e descoloração do sabão, o que afeta a qualidade, sensorial e prazo de validade do produto final. Portanto, os antioxidantes normalmente são adicionados para evitar esse fenômeno. Extratos vegetais, como extrato vegetal de semente de uva, podem ser uma opção de antioxidantes naturais para proteger a fórmula. 

A pele

A pele é o maior órgão do corpo, e atua principalmente como proteção contra os fatores externos, como microorganismos, radiação UV, alérgenos e irritantes. O local de ação dos cosméticos é principalmente no estrato córneo, a camada mais externa da pele. Essa camada consiste em corneócitos (queratinócitos sem núcleo) e lipídios intercelulares. A função de barreira da pele depende da integridade do estrato córneo. A hidratação do estrato córneo é essencial para manter a sua integridade, e os fatores de hidratação natural (FHN) contribuem para isso. A composição do FHN inclui aminoácidos livres, ácido pirrolidona carboxílico, ácido lático, ácidos orgânicos, peptídeos e glicerol. 

Dermatite atópica

Na presença da dermatite, a hidratação do estrato córneo diminui e a perda de água transepidérmica aumenta. A perda de água transepidérmica é um indicador importante da função de barreira da pele, e uma pele seca (com ou sem comparação) possui uma função de barreira inferior. Portanto, o uso de emolientes em dermatites, como a dermatite atópica e eczematosa, restaura a hidratação do estrato córneo, diminuindo assim a perda de água transepidérmica. 

A dermatite atópica é uma inflamação cutânea crônica comum. A patogênese envolve uma disfunção na função de barreira da epiderme e inflamação Th2 crônica, também na pele. Com a função de barreira comprometida, é muito mais fácil ocorrer sensibilizações alérgicas. Além disso, a inflamação pode alterar a diferenciação da epiderme, comprometendo ainda mais a função de barreira. Portanto, o uso de sabonetes apropriados, emolientes e cremes, é uma maneira útil de controlar e evitar o progresso dessa condição. 

Envelhecimento

O envelhecimento cutâneo pode ser caracterizado como perda de elasticidade, enrugamento, secura e diminuição da efetividade da barreira cutânea. O envelhecimento cronológico ocorre pois há uma diminuição de substituição celular da epiderme, derme e hipoderme, assim como dificuldade em remodelar a matriz extracelular (colágeno e fibras elásticas). 

O envelhecimento causado por fatores extrínsecos ocorre por fatores como exposição UV, poluição, fumo e outros. O fotoenvelhecimento (envelhecimento causado pela radiação UV) apresenta sinais como despigmentação, elastose solar, queratose actínica e queratose seborreica. O processo de fotoenvelhecimento pode ser explicado pela foto oxidação, principalmente altos níveis de espécies reativas de oxigênio na pele. As espécies reativas de oxigênio degradam o acúmulo de colágeno na derme. Os níveis de espécies reativas de oxigênio são regulados por enzimas antioxidantes, como superóxido dismutase, catalase e glutationa. O estresse oxidativo ocorre quando há alta produção de espécies reativas de oxigênio, excedendo a capacidade defensora dos antioxidantes cutâneos. O estresse oxidativo danifica as células cutâneas e sua expressão gênica. Além de causar fotoenvelhecimento pode promover também carcinogênese (câncer de pele melanoma e não melanoma). 

Cabelo

Óleos vegetais também são usados em produtos capilares, formando um filme sobre a superfícies capilar, o que sela as cutículas e mantém a hidratação. Também são lubrificantes, facilitando o desembaraçamento dos fios. 

Uso em cosméticos

Óleos vegetais podem ser usados nos mais diferentes sistemas cosméticos, como emulsões (loções, cremes, manteigas), sistemas anidros (séruns e bastões) e até sistemas de limpeza, como shampoos. Os principais benefícios de seu uso nesses sistemas são emoliência, hidratação e condicionamento. Também são usados para produção de sabonetes produzidos a partir de saponificação. 

Os óleos vegetais são amplamente usados em produtos cosméticos, pois apresentam diversos efeitos fisiológicos positivos. A aplicação de um óleo vegetal, por exemplo, pode atuar como uma barreira protetora, através da oclusão, diminuindo a perda de água transepidérmica. Além disso, produtos tópicos têm alta disponibilidade da pele e efeito local. Os triglicerídeos não penetram profundamente no estrato córneo, mas o glicerol contribui para a sua hidratação. Ácidos graxos livres, principalmente os monoinsaturados, como o ácido oleico, podem aumentar a permeabilidade de outros componentes presentes no óleo. Outros componentes, como compostos fenólicos e tocoferóis exibem efeito antioxidante, e podem modular processos fisiológicos, como na homeostase da barreira cutânea, inflamação e cicatrização. Além disso, óleos vegetais podem formar um filme oclusivo na pele, diminuindo a perda de água e regulando a proliferação queratinocítica.

Alguns óleos vegetais utilizados em formulações cosméticas

Óleo de oliva

Sua composição consiste, principalmente, em ácido oleico, com menor concentração de outros ácidos graxos, como ácido linoleico e ácido palmítico. Mais de 200 compostos químicos diferentes já foram encontrados no óleo de oliva, como esteróis, carotenóides, álcoois triterpenos e compostos fenólicos. Fenóis hidrofílicos são os antioxidantes mais abundantes no óleo de oliva. 

Em um estudo em um modelo animal, a aplicação tópica de óleo de oliva em úlcera de pressão melhorou a cicatrização, através de efeitos anti-inflamatórios, redução do dano oxidativo e promoção da reconstrução dérmica. Em um outro estudo, realizado por Zahmatkesh et al., uma pomada contendo óleo de oliva, óleo de gergelim e mel, foi útil no tratamento de queimaduras, prevenindo infecções e acelerando o reparo do tecido. 

Óleo de Semente de Girassol

A composição desse óleo vegetal consiste, majoritariamente, em ácido oleico e ácido linoleico. A concentração de ácido linoleico é maior quando comparada ao óleo de oliva. 

Estudos já mostraram que o óleo de girassol apresenta diversos benefícios, como preservação da integridade do estrato córneo e melhora da hidratação da pele adulta. O ácido linoleico  atua como agonista do receptor-alfa ativado por proliferador de peroxissoma, o que aumenta a proliferação de queratinócitos e a síntese lipídica. 

Em um modelo animal para estudo de câncer de pele, este óleo apresentou efeito quimiopreventivo nos dois estágios da carcinogênese.

Óleo de semente de uva

O óleo de semente de uva é rico em polifenóis, ácidos graxos livres e vitaminas. O efeito cicatrizante desse óleo vegetal tem sido estudado. Um estudo mostrou que os níveis de hidroxiprolina no tecido de granulação foi maior em pacientes tratados com esse óleo. Além disso, o fechamento da cicatriz foi rápida, sugerindo potencial cicatrizante.

Óleo de Coco

Esse óleo é composto por ácidos graxos livres, incluindo ácido láurico (49%), ácido mirístico (18%), ácido palmítico (8%), ácido caprílico (8%), ácido cáprico (7%), ácido oleico (6%), ácido linoleico (2%) e ácido esteárico (2%). O óleo de coco se mostrou eficaz no tratamento de xerose moderada. 

Em um estudo pediátrico (que utilizou crianças de 1 a 13 anos), foi avaliado a ação do óleo de coco no tratamento da dermatite atópica. Os resultados mostraram que o óleo de coco diminuiu a severidade da condição e melhorou a função de barreira. 

Segundo um teste histopatológico, a aplicação tópica desse óleo também é capaz de promover a neovascularização, proliferação de fibroblastos, síntese de colágeno solúvel em pepsina, e turnover para o colágeno em cicatrizes. 

Kim et al. demonstraram que o óleo de coco aumentou a expressão de componentes do envelope cornificado, contribuindo para a função de barreira do estrato córneo. O estudo também mostrou que a aplicação tópica de óleo de coco protege a pele da radiação UV. 

De todos os componentes presentes no óleo de coco, a monolaurina possui importância adicional. Monolaurina é um monoglicerídeo derivado do ácido láurico, e possui atividade antimicrobiana, desintegrando a membrana lipídica de bactérias que possuem o envelope lipídico, como Propionibacterium acnes, Staphylococcus aureus, e Staphylococcus epidermidis, por exemplo. Estudos celulares também mostraram que a monolaurina apresenta atividade antifúngica e antiviral. 

Óleo de Argan

É composto de ácidos graxos monoinsaturados (80%) e saturados (20%). Também contém polifenóis, tocoferóis, esteróis, esqualeno e álcoois triterpenos. A aplicação tópica do óleo de argan já demonstrou melhorar a elasticidade cutânea e hidratação da pele, restaurando a função de barreira e mantendo a capacidade de reter água. Adicionalmente, a percepção sensorial após aplicação tópica é de relaxamento e maciez. 

Óleo de Abacate

É rico em ácido linoleico, linolênico e ácido oleico. Também contém beta-sitosterol, beta-caroteno, lecitina, minerais, e vitaminas A, C, D e E. É um óleo excelente para peles secas, danificadas ou rachadas. 

Estudos mostraram que a aplicação tópica do óleo de abacate em ratos aumentou a síntese de colágeno e diminuiu o número de células inflamatórias durante o processo de cicatrização. 

Óleo de Jojoba

O alto teor de ésteres de cera torna o óleo de jojoba uma ótima opção para dermatoses que alteram a barreira cutânea, como dermatite seborréica, dermatite eczematosa, dermatite atópica e acne. Também possui efeito anti-inflamatório, podendo ser usado em diversas condições cutâneas, como infecções, envelhecimento cutâneo e cicatrização. 

Óleo de Rosa Mosqueta 

Esse óleo vegetal possui ácidos graxos insaturados. O ácido graxo mais abundante é o ácido linoleico (35.9 – 54.8%), seguido do ácido alfa-linolênico (16.6 – 26.5%) e ácido oléico (14.7 – 22.1%). Possui antioxidantes lipofílicos, especialmente tocoferóis e carotenóides. Também possui altos níveis de ácidos fenólicos, como vanilina e ácido vanílico. Devido aos altos níveis de ácidos graxos insaturados e antioxidantes, esse óleo pode proteger contra inflamação e estresse oxidativo. 

Manteiga de Karité

Sua composição inclui triglicerídeos com ácidos graxos, como oleico, esteárico, linoleico e palmítico, assim como uma fração não-saponificada (triterpenos, tocoferóis, fenóis e esteróis). Por conta de sua composição, possui propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Sua ação anti-inflamatória ocorre pela inibição de iNOS, COX-2, e citocinas pela via NF-kB. Além disso, um estudo sobre a dermatite atópica que um creme contendo extrato de manteiga de karité possui a mesma eficácia que produtos com precursores de ceramida.

Conclusão

Óleos vegetais são materiais lipofílicos e não-polares, de composição complexa, contendo ácidos graxos, compostos fenólicos, triterpenos, entre outros componentes. São usados em produtos cosméticos como emolientes, por conta dos benefícios oferecidos pelas propriedades de lubrificação, hidratação e formação de filme, além de possuírem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Os óleos vegetais também podem ser usados para produção de sabonetes saponificados. A composição desses óleos influenciam em seus benefícios fisiológicos. A sua porção não-saponificada, por exemplo, está relacionada com a antioxidação.

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