O poder dos quelantes: componentes eficazes que auxiliam na estabilidade de suas formulações

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Você gostaria de manter a estabilidade em suas formulações? Então precisa entender sobre quelantes.

Preparei esse artigo como um guia para você aprender mais sobre esses componentes, que auxiliam na estabilidade de suas formulações.

Nesse artigo, você saberá:

  • O que são quelantes?
  • Quais são os principais, mais eficazes e modernos?
  • Quais os principais casos de interação?
  • Quais as recomendações de uso desses componentes?

 

O que são quelantes? Quais são os principais, mais eficazes e modernos?

Quelantes, também conhecidos como sequestrantes, são componentes muito utilizados em produtos cosméticos para evitar problemas de estabilidade: mudança de cor, cheiro, e aparência.

O EDTA dissódico e o EDTA tetrassódico são os principais representantes dessa classe de matéria-prima em produtos cosméticos, já que são mais eficazes e modernos do que outros componentes quelantes como, por exemplo, os citratos.

Os quelantes atuam complexando e inativando íons metálicos, como Cálcio, Ferro, Cobre e Magnésio provenientes da água e/ou de matérias-primas da formulação. A presença desses íons metálicos pode ocasionar uma série de problemas às formulações cosméticas, em virtude das suas interações com algumas matérias-primas.

 

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Quais os principais casos de interação promovida por íons metálicos?

  • Essas interações propiciam o risco de mudanças e precipitações dos corantes, prejudicando, dentre outras propriedades, o sensorial e a estética da formulação.
  • Outro exemplo são as reações de oxidação de componentes que compõem fragrâncias, como cetonas e aldeídos, que podem ser catalizados por quantidades muito pequenas de íons metálicos.
  • Alguns conservantes também são inativados por íons metálicos presentes na formulação, o que compromete a conservação do produto acabado perante a ação de microorganismos.
  • É comum em formulações dermatológicas que o ácido salicílico reaja com íons ferro III, promovendo, portanto, a formação de um complexo avermelhado. Por isso a adição de EDTA dissódico é muito recomendada nesse caso.
  • Além do ácido salicílico, a hidroquinona e a vitamina C também são dois outros bons exemplos de ativos clássicos muito utilizados por dematologistas e que necessitam da presença do EDTA Dissódico para que não ocorram interações prejudiciais às formulações.
  • Em formulações de shampoo, sabonetes e produtos de higienização pessoal, o EDTA Dissódico evita que íons cálcio e magnésio sofram precipitação e interfiram na formação de espuma dos produtos. Isso é particularmente muito relevante sobre o consumo regional desses produtos, tendo em vista que existem regiões na Europa, EUA e alguns estados brasileiros onde a água é considerada dura, ou seja, possuidora de grande quantidade desses íons, podendo afetar diretamente a performance do produto.

 

 

Quais as recomendações de uso?

 

Quando utilizar o EDTA Dissódico?

  • Em formulações com pH menor que 7,0
  • Concentração de uso do EDTA Dissódico: 0,05 – 0,1%

 

Quais as características do EDTA Dissódico?

Aparência: Pó cristalino branco

INCI Name: Dissoodium EDTA

Solubilidade: Hidrossolúvel

Farmacotécnica: Solubilizar em Qsp de água destilada / deionizada

 

 

Quando utilizar o EDTA Tetrassódico?

  • Em formulações com pH maior que 7,0
  • Concentração de uso do EDTA Tetrassódico: 0,1 – 0,5%

 

Quais as características do EDTA Tetrassódico?

Aparência: Pó branco a levemente amarelado

INCI Name: Tetrasodium EDTA

Solubilidade: Hidrossolúvel

Farmacotécnica: Solubilizar em Qsp de água destilada / deionizada

 

Como visto, a importância de quelantes nas formulações é inegável, em virtude de suas propriedades de complexação e inativação de íons potencialmente prejudiciais. Portanto, podemos criar formulações estáveis e de qualidade através de componentes como o EDTA, que garantem, acima de tudo, a satisfação do consumidor.

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Você tem alguma dica ou experiência no uso de quelantes? Comente abaixo!

 

Referências bibliográficas:
¹ RS Cook, N Yussuf. [Fnadbook of Pharmaceutical Excipients]. Ed. 2. Whashington, DC, American Pharmaceutical Association, 1994, pp 178-179.
² [EDTA e seus sais]. Revista IJPC – Br, volume 3, nº 5, Setembro/Outubro de 2001, pág 186-188.
³ [Manual de Incompatibilidades farmacotécnicas em preparações de uso tópico]. Anfarmag – 2003