7 dicas essenciais para a correta manipulação da vitamina C

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7 dicas essenciais para a correta manipulação da vitamina C

Cleber Barros
Escrito por Cleber Barros em 12 de Abril de 2016
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Aprenda a lidar com a vitamina C em cosméticos e garanta produtos mais estáveis e eficazes.

O ácido ascórbico (AA), mais conhecido como vitamina C, é uma vitamina hidrossolúvel frequentemente utilizada em formulações cosméticas devido às suas propriedades benéficas e terapêuticas para a pele. O AA é um excelente antioxidante, ou seja, ele combate os danos causados pelos radicais livres na nossa pele, prevenindo o envelhecimento cutâneo. [1]

Além disso, a vitamina C apresenta outros importantes benefícios para a pele, pois participa na biossíntese de colágeno (principal proteína cutânea) e auxilia no clareamento de manchas da pele fotoenvelhecida.

Como se sabe, esta vitamina apresenta dificuldades na sua manipulação, inerentes ao seu alto risco de oxidação perante a luz, altas temperaturas e presença de água. A utilização de ácido ascórbico em produtos cosméticos e farmacêuticos é limitada devido à sua baixa estabilidade. Em condições aeróbicas, o ácido ascórbico é reversivelmente oxidado para ácido dehidro L-ascórbico, que pode ser irreversivelmente degradado à ácido oxálico. [10]

Continue lendo esse artigo para saber:

  • Mais informações sobre a vitamina C.
  • Dicas importantes para a correta manipulação da vitamina C.
  • As principais opções de vitamina C estabilizadas disponíveis e suas particularidades.

 

 

Conheça mais sobre a vitamina C

A vitamina C é cofator para duas enzimas essenciais na biossíntese do colágeno: a lisil hidroxilase e a prolil hidroxilase. Muito importante citar que além de atuar como importante cofator para essas enzimas, a vitamina C regula também a síntese de colágeno tipo I e III (os principais tipos de colágeno da pele) diretamente pelos fibroblastos dérmicos de forma independente da idade da pessoa. [2]

Agentes antioxidantes, como a vitamina C, são capazes de inibir as etapas de oxidação necessárias para a formação da melanina, promovendo clareamento cutâneo. A vitamina C tópica promove um efeito redutor de manchas, reduzindo a formação da melanina (pigmento escuro da pele). Um estudo divulgado no Jornal Internacional de Dermatologia mostrou que a vitamina C a 5% foi capaz de clarear as manchas de melasma após 4 meses. Interessante destacar que as análises colorimétricas (que medem a intensidade da cor da mancha) não mostraram diferenças significativas entre a vitamina C a 5% e a hidroquinona a 4% (fármaco considerado padrão ouro no tratamento de manchas hipercrômicas da pele). [3]

Como visto, o ácido ascórbico (vitamina C) é amplamente utilizado em cosméticos devido às suas propriedades antioxidantes e ao seu efeito estimulador da síntese de colágeno. Porém, a luz solar e a poluição ambiental podem esgotar com a quantidade de vitamina C presente na epiderme, sendo importante a sua reposição para a prevenção do envelhecimento precoce. [4]

Agora que você já recebeu mais informações sobre essa vitamina, conheça as 7 dicas importantes para a correta manipulação da vitamina C.

 

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7 dicas para a correta manipulação da vitamina C

A vitamina C é um antioxidante, sendo, portanto, altamente instável. A oxidação dessa vitamina pode ocorrer na presença de ar (oxigênio), luz, água e temperatura elevada. Um dos maiores desafios do formulador é evitar a oxidação da vitamina C na formulação. Veja agora dicas importantes para a correta manipulação da vitamina C:

 

1. Temperatura

A vitamina C é solúvel em água (hidrossolúvel), assim sua solubilização é simples, bastando adicionar qs de água (ou de um glicol para melhor estabilidade). Porém essa vitamina é termolábil, e por isso a solubilização deve ser em processo a frio, assim como sua adição à formulação. O ácido ascórbico deve sempre ser adicionado na fase termolábil em suas formulações cosméticas.

Alguns estudos recomendam ainda o armazenamento das formulações cosméticas contendo vitamina C em temperaturas de 5 a 8ºC, de modo a manter a sua estabilidade química, prolongado assim o prazo de validade [6]

 

2. pH

É importante manter o pH igual ou menor a 3,5. Além de melhorar a estabilidade do ativo, estudos da absorção percutânea do ácido ascórbico revelaram a importância do pH na formulação tópica, assim, as formulações com vitamina C devem ter níveis de pH iguais a 3,5 ou menores do que isso. [1]

 

3. Adição de ácido ferúlico

A utilização de um sistema antioxidante eficaz é necessária para manter a estabilidade do ácido ascórbico em preparações cosméticas. O ácido ferúlico e o metabissulfito de sódio têm sido usados como antioxidantes para a estabilização de ácido ascórbico em formulações tópicas. [9]

Um estudo realizado por pesquisadores da Divisão de Dermatologia do Centro Médico da Universidade Duke, na Carolina do Norte, EUA, com uma fórmula estável contendo 15% de ácido L-ascórbico, 1% de alfa-tocoferol, e 0,5% de ácido ferúlico, comprovou que essa formulação apresentou potente eficácia contra os danos causados pela radiação ultravioleta.

Porém, o ácido ferúlico, um antioxidante oriundo de plantas, além de ser acrescentado na fórmula com o objetivo de aumentar a fotoproteção cutânea, também foi utilizado para aumentar a estabilidade da vitamina C em mais de 90%. [5]

 

 

4. Emulsionantes e umectantes

Um estudo recente demonstrou o efeito de agentes umectantes e emulsionantes na fotoestabilidade do ácido ascórbico em formulações de creme. O ácido ascórbico se mostrou mais estável na presença de ácido palmítico e glicerina. [11]

 

5. Base anidra

O tipo de formulação também desempenha um papel importante na estabilidade de ácido ascórbico. O ácido ascórbico é mais estável em sistemas emulsionados em comparação com soluções aquosas. [9]

Mas a vitamina C se oxida facilmente em preparações semi-sólidas contendo água na sua composição, incluindo géis, géis cremes ou emulsões O/A. Assim, as formulações anidras (isentas de água em sua composição) são bases ideais para a incorporação da vitamina C pois aumentam a estabilidade frente a oxidação pela água. Um estudo mostrou que o uso da vitamina C em preparações anidras, como um creme de propilenoglicol e silicones, permite obter melhores resultados devido à ausência de água, com boas características de estabilidade física e química. [6]

 

6. Viscosidade

Outro fator que deve ser avaliado é a viscosidade do sistema. A viscosidade do meio é um importante fator que deve ser considerado na estabilidade do ácido ascórbico, sendo que formulações de viscosidade mais elevada mostraram algum grau de proteção frente a oxidação dessa vitamina. [9]

 

7. Embalagem

Também é importante considerar os aspectos da embalagem e as condições de armazenamento para prolongar a estabilidade da vitamina C e, assim, do prazo de validade do produto cosmético. [9] Utilize preferencialmente embalagens pump com dispenser airless, características que facilitam a aplicação e protegem as formulações sensíveis ao ar e à umidade.

 

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Principais opções de vitamina C estabilizadas disponíveis no mercado

Devido à dificuldade de estabilização do ácido ascórbico, vários derivados mais estáveis foram desenvolvidos e disponibilizados para uso cosmético. Exemplos são os ésteres, como o ascorbil fosfato de sódio e o ascorbil fosfato de magnésio, que apresentam melhor estabilidade frente à oxidação em comparação com o ácido ascórbico. [10]

O ascorbil fosfato de magnésio é um derivado do ácido ascórbico obtido pela reação de esterificação de um grupo hidroxila por uma cadeia inorgânica, que protege o anel enediol das reações de degradação. Este ativo, ao penetrar na epiderme, libera vitamina C livre devido à ação das enzimas estearases presentes na pele. Porém, o uso do ascorbil fosfato de magnésio em associações fica limitado à restrita faixa de pH permitida para a formulação (pH de 7 a 8). [7,8]

O ascorbil fosfato de sódio também é um derivado da vitamina C estável que é clivado por enzimas da pele para liberar o ácido ascórbico. Em um estudo realizado em 2013 que investigou a estabilidade de emulsões O/A contendo ácido ascórbico e seus ésteres ascorbil fosfato de sódio e de magnésio, a formulação com ascorbil fosfato de sódio se mostrou a mais estável em comparação com as de ascorbil fosfato de magnésio e de ácido ascórbico. [10]

 

 

Outra opção interessante de vitamina C estabilizada é o LumineCense® (INCI Name: Caprylyl 2-Glyceryl Ascorbate), um novo derivado do ácido ascórbico sintetizado através da introdução de um grupo octila e um grupo de glicerila. Essa molécula recentemente desenvolvida resultou em uma vitamina C não iônica, anfifílica e biologicamente ativa. É preciso, porém, incorporá-la à frio em suas formulações. A matéria-prima deve ser acondicionada em geladeira (10 graus Celsius), mas após a manipulação da formulação cosmética esta não precisa ser acondicionada em geladeira, bastando manter a formulação final à 25 graus Celsius. O pH final da formulação precisa estar entre 3,5 e 5,5.

Os ésteres de vitamina C, embora mais estáveis que a vitamina C pura, dependem de uma faixa de pH diferente do que a do seu ácido para uma boa eficácia e estabilidade. Veja na tabela abaixo as principais opções de vitamina C estabilizadas disponíveis e suas particularidades:

 

Derivado da vitamina C INCI Name Solubilidade Faixa de pH de estabilidade Características % de uso Incompatibilidade
Activespheres™ Vit C PMG Water (and) Butylene Glycol (and) Magnesium Ascorbyl Phosphate (and) Atelocollagen (and) SodiumChondroitin Sulfate (and) Xanthan Gum (and) Polysorbate 20. Hidrossolúvel 5-6 Ascorbil fosfato de magnésio encapsulado em colágeno e sulfato de condroitina de origem marinha. 1-10% Não é estável com ácidos ou com DMAE. Incompatível com Natrosol.
Ascorbosilane® C Ascorbyl Methylsilanol Pectinate Hidrossolúvel 5-7 Vitamina C vetorizada em silanóis. 3-5% N/A
Ascorbil fosfato de magnésio (Nikkol VC PMG®; VC-PMG®) Magnesium Ascorbyl Phosphate Hidrossolúvel 6,5-8 Ascorbil fosfato de magnésio. 1-3% Bases aniônicas, ácido azelaico, ácido fítico, ácido kójico, ácido lático, ácido retinóico, hidroquinona e gel Carbopol®.
AA2G™ Ascorbyl Glucoside Hidrossolúvel 5-7 Ácido Ascórbico 2-glicosado 1-2% N/A
LumineCense® Caprylyl 2-Glyceryl Ascorbate Hidrossolúvel 3,5-5,5 2 – gliceril- 3 – octil ascorbato 0,5-100% N/A
Nanoesferas Vitamina C® Ascorbic Acid (and) Sodium Propoxyhydroxypropyl Thiosulfate Silica (and) Water. N/A 5,5-6,8 Dispersão de vitamina C sob a forma nanosferizada 0,5-3% N/A
Nikkol VC IP® Ascorbyl Tetraisopalmitate Lipossolúvel Derivado lipossolúvel de vitamina C 1-10% Géis.

 

Lidar corretamente com a vitamina C em formulações cosméticas pode ser um desafio para quem não conhece as características e peculiaridades desse ativo. Mas como mostrado, o segredo para a sua utilização correta, garantindo sua estabilidade e máxima eficácia em produtos, consiste em passos simples a serem seguidos pelo profissional técnico.

Espero que o conteúdo aqui abordado seja útil em seu dia a dia. O objetivo desse artigo é contribuir para a elevação do nível técnico de profissionais da área. Para qualquer orientação procure sempre um profissional habilitado como um dermatologista ou farmacêutico.

 

Referências:
[1] MANELA-AZULAY, Mônica et al. [Vitamina C.] An. Bras. Dermatol. [online]. 2003, vol.78, n.3, pp. 265-272. ISSN 1806-4841.
[2] Phillips CL, Combs SB, Pinnell SR. [Effects of ascorbic acid on proliferation and collagen synthesis in relation to the donor age of human dermalfibroblasts.] J Invest Dermatol. 1994 Aug;103(2):228-32. PMID: 7518857 [PubMed – indexed for MEDLINE]
[3] Espinal-Perez LE, Moncada B, Castanedo-Cazares JP. [A double-blind randomized trial of 5% ascorbic acid vs. 4% hydroquinone in melasma.] Int J Dermatol. 2004 Aug;43(8):604-7. PMID: 15304189 [PubMed – indexed for MEDLINE]
[4] Ramos-e-Silva M, Celem LR, Ramos-e-Silva S, Fucci-da-Costa AP. [Anti-aging cosmetics: facts and controversies.] Clin Dermatol. 2013 Nov-Dec;31(6):750-8. PMID: 24160281 [PubMed – indexed for MEDLINE]
[5] Murray JC, Burch JA, Streilein RD , Iannacchione MA , Salão RP , Pinnell SR. [A topical antioxidant solution containing vitamins C and E stabilized by ferulic acid provides protection for human skin against damage caused by ultraviolet irradiation.] Journal of the American Academy of Dermatology. 2008 Sep;59(3):418-25. doi: 10.1016/j.jaad.2008.05.004. Epub 2008 Jul 7. PMID: 18603326 [PubMed]
[6] KRAMBECK K. [Desenvolvimento de Preparações Cosméticas contendo Vitamina C.] Dissertação de Mestrado de Tecnologia Farmacêutica. Universidade do Porto. 2009.
[7] KAMEYAMA, K. et al. [Inhibitory effect of magnesium L-ascorbyl-2-phosphate (VC-PMG) on melanogenesis in vitro and in vivo.] J. Am. Acad. Dermatol., St. Louis, v. 34, n. 1, p. 29-33, 1996.
[8] SILVA, G. M.; MAIA CAMPOS, P. M. B. G. [Histopathological, morphometric and stereological studies of ascorbic acid and magnesium ascorbyl phosphate in a skin care formulation.] Int. J. Cosmet. Sci., v. 22, n. 3, p. 169-179, 2000.
[9] Sheraz MA, Ahmed S, Ahmad I, Shaikh RH, Vaid FH, Iqbal K. [Formulation and stability of ascorbic acid in topical preparations.] Syst Rev Pharm 2011;2:86-90.
[10] Smaoui S., Hlima H.B., Kadri A. [Application of l-Ascorbic Acid and its Derivatives (Sodium Ascorbyl Phosphate and Magnesium Ascorbyl Phosphate) in Topical Cosmetic Formulations: Stability Studies.] J.Chem.Soc.Pak.,Vol. 35, No. 4, 2013.  
[11] Sheraz MA. [Formulation and Stability of Ascorbic Acid in Liquid and Semisolid Preparations.] Ph. D. Thesis, Baqai Medical University, Karachi, Pakistan, 2009.

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