Como melhorar imediatamente formulações com ativos hidratantes práticos

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Como melhorar imediatamente formulações com ativos hidratantes práticos

Cleber Barros
Escrito por Cleber Barros em 31 de Maio de 2016
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Aprenda a utilizar ativos hidratantes práticos para criar formulações eficazes e valorizadas

Conhecer e saber usar ativos hidratantes para melhorar a performance de suas formulações, possibilita uma série de vantagens como custo menor por fórmula, produtos com maior eficácia, fidelização de cliente e vantagem competitiva frente à concorrência.

Lendo esse artigo você aprenderá a como melhorar imediatamente a ação hidratante de formulações cosméticas. E poderá fazer isso usando ativos hidratantes práticos e que provavelmente você já tenha no seu laboratório.

Continue lendo e aproveite as informações passadas. Elas são muito valiosas nas mãos do profissional que souber utilizá-las.

A desidratação da pele pode causar diversos problemas dermatológicos, os quais podem ser evitados, e até mesmo tratado com o uso de cosméticos adequados.

O uso frequente de cosméticos hidratantes é, ainda, a primeira terapia de escolha para o tratamento da pele seca [1]. Há uma grande variedade de ativos hidratantes disponíveis no mercado, com diferentes mecanismos de ação. Os lipídios (óleos e manteigas) retardam a perda de água transepidérmica. As substâncias umectantes (como a glicerina) possuem a capacidade de atrair a água. No estrato córneo, há a presença de algumas substâncias umectantes, altamente higroscópicas, que fazem parte do fator de hidratação natural (como o Na PCA) e também podem ser adicionadas nesses produtos. [3]

Os ativos hidratantes são classificados de acordo com seu mecanismo de ação, sendo os mais utilizados os agentes oclusivos, os umectantes e os emolientes. Conheça mais sobre cada um deles:

 

 

1. Oclusivos

Os componentes oclusivos retardam a evaporação e perda de água epidérmica através da formação de um filme hidrofóbico na superfície da pele e no interstício entre os queratinócitos superficiais. [1,2] Eles são geralmente gordurosos, principalmente os de origem mineral ou vegetais.

Principais agentes oclusivos utilizados em cosméticos

  • Óleo mineral;
  • Parafina;
  • Escaleno;
  • Derivados de silicone;
  • Álcoois graxos;
  • Lanolina;
  • Ceras, ceras vegetais e ésteres de ceras;
  • Óleos vegetais.

 

2. Umectantes

São componentes higroscópicos capazes de reter água na pele (camada córnea) e nas formulações cosméticas. Um dos tipos de umectantes mais utilizados em emulsões são os glicóis, como glicerina, sorbitol e propilenoglicol.

A glicerina é ainda hoje o mais popular de todos os umectantes utilizados em emulsões cosméticas. Embora seja um excelente ativo hidratante, quando utilizado em concentrações acima de 5% ela pode deixar a pele com uma sensação desagradável e pegajosa.

Além disso, umectantes comuns devem estar associados a outros compostos capazes de manter a retenção de água na pele (evitar a perda por evaporação), pois, caso contrário, dependendo do estado da função barreira, podem acelerar a perda de água transepidermal (TEWL) em até 29%, desidratando a pele. [1,2]

Principais agentes umectantes utilizados em cosméticos

  • Glicerina;
  • Sorbitol;
  • Propilenoglicol;
  • Lactato de amônia;
  • Lactato de amônia;
  • Ureia e derivados de ureia;
  • Gelatina e colágeno;
  • Ácido hialurônico.

 

 

3. Emolientes

Os agentes ditos emolientes são os ricos em compostos capazes de preencher as fendas (ou espaços) intercorneocíticas (espaço intercelular), retendo água na camada córnea. A capacidade hidratante dos emolientes é devido ao aumento da coesão entre as células do estrato córneo (corneócitos), aumentando a capacidade de barreira impermeável natural da camada córnea. [1,2] Como a camada córnea possui uma estrutura conhecida como “brick & mortar” [4], em que os tijolos são os corneócitos e o cimento são os lipídios intercelulares [5], repor lipídeos para essa camada (no caso dos emolientes em cosméticos) favorece a hidratação por evitar a perda de água por evaporação.

A estrutura química dos emolientes influencia em sua interação com a pele e na propriedade sensorial do produto final. Óleo mineral, óleos vegetais e lanolina apresentam elevado poder oclusivo, diminuindo a perda transepidermal de água e, consequentemente, aumentando a hidratação do estrato córneo. Os óleos produzem sensação mais gordurosa, enquanto os ésteres de ácidos graxos conferem sensação mais leve na pele e são menos oclusivos que os óleos. Entre os emolientes utilizados em emulsões cosméticas destacam-se óleos, manteigas, ésteres, ceras, álcoois e hidrocarbonetos.

Principais agentes emolientes utilizados em cosméticos

  • Óleo mineral;
  • Óleos vegetais;
  • Lanolina;
  • Ésteres de ácidos graxos;
  • Silicones;
  • Ceramidas;
  • Manteigas.

 

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Hidratação para peles sensíveis, infantis e de gestantes

Para formular produtos cosméticos para pele sensível, assim como para alguns tipos específicos de pele, como a infantil e para gestantes, é preciso ter conhecimentos de dermatotoxicologia. Alguns ingredientes presentes em praticamente todos os cosméticos podem ser vilões dependendo de sua estrutura química [6], sendo que as fragrâncias, os conservantes e os corantes são os campeões em irritabilidade da pele. Para evitar a irritação, a vermelhidão, o ardor e outros efeitos adversos após o uso de cosméticos, é essencial ao formulador estar atento aos ingredientes da formulação.

Algumas bases de formulações cosméticas ou dermocosméticas são preparadas com componentes não adaptados para as peles sensíveis e intolerantes. É muito importante escolher corretamente as matérias-primas para a criação de formulações cosméticas para evitar reações não desejadas, sendo mais relevante ainda para os produtos específicos para crianças, gestantes e pessoas de pele sensível. Existem maneiras de melhorar a compatibilidade cutânea de emulsões cosméticas, como a escolha correta do emulsionante, do conservante e do pH da formulação.

 

 

Leia mais sobre isso no artigo: 4 formas práticas para melhorar a compatibilidade cutânea em emulsões cosméticas. Além disso, no caso de cosméticos hidratantes, alguns componentes devem ser evitados, pois embora efetivos no aumento da hidratação da pele, não são adequados para peles delicadas e que precisam de um cuidado especial, como as sensíveis, infantis e de gestantes.

Emolientes como o óleo mineral e outros derivados de petróleo não são indicados para uso em gestantes, crianças e peles sensíveis. O óleo mineral é um agente causador de dermatite de contato fotoalérgica além de ser oclusivo, o que pode aumentar a permeação de outras substâncias. Além disso, os derivados de petróleo podem estar contaminados com 1,4-dioxano, uma substância cancerígena. Ingredientes muito oleosos, tais como ésteres de álcool isopropílico, miristrato de isopropila e as lanolinas podem ser comedogênicos em produtos infantis. [6]

Outro agente hidratante que merece atenção é a ureia. A ureia acima de 3%, presente em muitos cremes hidratantes, não deve ser utilizada durante a gravidez de acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), pois é prejudicial durante a gestação. A ureia também pode prejudicar o crescimento e desenvolvimento do feto, pois consegue atravessar facilmente a barreira placentária e aumentar a penetração cutânea de outras substâncias ativas. [7]

Vamos ver algumas opções de ativos hidratantes seguros e eficazes para a hidratação de peles delicadas que você deve usar em seu laboratório:

 

Glicerina

A glicerina ou glicerol é um importante umectante para a pele, e possui um excelente custo-benefício além de ser considerada segura. É geralmente usada de 1% a 20%, mas em concentrações acima de 5% pode deixar a formulação com sensorial pegajoso.

A glicerina é conhecida por proteger a pele contra substâncias irritantes e por diminuir irritações. Estudos [8,9] mostram que a pele irritada pela ação de lauril éter sulfato de sódio (um tensoativo irritante, mas que ainda é muito utilizado em formulações de limpeza) pode ser beneficiada quando tratada com glicerina. A glicerina, além de ter ação umectante, age favorecendo a recuperação e a restauração da função barreira da pele, melhorando a hidratação e reduzindo a irritabilidade cutânea.

Mas atenção, ao usar a glicerina em formulações cosméticas, você precisa tomar alguns cuidados para evitar a ocorrência de pegajosidade. Leia mais clicando aqui e veja 2 dicas práticas para não errar no uso da glicerina em produtos.

 

 

Cosmacol® ELI

O Cosmacol® ELI (INCI Name: C12–13 Alkyl Lactate) é um éster do ácido lático de álcoois primários C12–13 mono-ramificados recomendado para formulações cosméticas hidratantes e de limpeza suave. Ele é um emoliente polar que exibe as características dos derivados de ácido lático, como hidratação cutânea e efeito queratolítico suave. [10]

Além disso, ele possui propriedade anti-irritante e pode ser utilizado inclusive em cosméticos para peles delicadas e atópicas. Outro diferencial é que ele possui uma propriedade interessante de redução de odores corporais, sendo recomendado em formulações antitranspirantes e desodorantes. Ele possui solubilidade em hidrocarbonetos, ésteres, silicones, etanol e propilenoglicol, e pode ser usado de 0,5% a 30%. [10]

 

Cosmacol® EMI

Também da linha de ésteres Cosmacol®, o Cosmacol® EMI (INCI Name: Di C12–13 Alkyl Malate) é um di-éster do ácido málico de álcoois primários C12–13 mono-ramificados. Ele é um lipídio não gorduroso muito semelhante ao manto natural hidro lipídico da pele e assim mostra excelentes propriedades hidratantes tanto para peles secas e envelhecidas quanto para peles mais oleosas. Ele pode ser usado em formulações do tipo emulsão ou óleos, e proporciona uma boa dispersibilidade e textura não gordurosa às formulações mesmo na presença de grande quantidade de ceras. É recomendado em concentrações de 0,3% a 15%. [10]

 

Emolid® CC

O Emolid® CC (INCI Name: Coco-Caprylate (and) Caprate) é um éster emoliente (éster de óleo de coco com ácido cáprico/caprílico) derivado de matérias-primas 100% naturais e renováveis altamente compatível com a pele. Esse ativo proporciona hidratação através do reforço da barreira lipídica da pele. [11]

O Emolid® CC além de ser bastante compatível com a pele ele também oferece maior hidratação que emolientes comumente utilizados em cosméticos. Um teste realizado pelo fabricante utilizando Corneometer® (aparelho que mede a hidratação da pele pela presença de água na própria pele) avaliou a hidratação cutânea após aplicação de Emolid® CC, ciclometicone e miristato de isopropila. Os resultados deste teste mostraram que Emolid® CC apresentou uma hidratação real excelente em comparação com emolientes comuns do mercado, sendo que a hidratação foi maior (até 30% maior) que a obtida com o uso de ciclometicone e miristato de isopropila e se manteve durante todo o tempo de avaliação. [11]

Além desses benefícios, ele ainda oferece uma alternativa vegetal a cosméticos que necessitam de alta espalhabilidade e toque leve e seco. Por ele ter uma estrutura de cadeia de carbono linear e saturada, ele é facilmente absorvido e possui um elevado grau de espalhabilidade, deixando um sensorial mais seco e de leve emoliência na pele. Ele ainda ajuda a reduzir a oleosidade de emolientes oleosos como manteigas e óleos vegetais da formulação final. A concentração de uso recomendada em cosméticos é de 5,0% a 20,0%.

 

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Como visto, existem uma infinidade de ativos hidratantes práticos para serem utilizados para melhorar a performance hidratante de formulações cosméticas.

Portanto, aproveite as informações recebidas nesse artigo e obtenha todas as vantagens do uso desses componentes. O objetivo desse artigo é contribuir para a elevação do nível técnico de profissionais da área. Para qualquer orientação procure sempre um profissional habilitado como um dermatologista ou farmacêutico.

 

 
Referências:
[1] Costa A. [Hidratação cutânea]. Revista Brasileira de Medicina. V. 66, p. 15-21, abr. 2009.
[2] Draelos, ZD. Cosmecêuticos. Elsevier: Rio de Janeiro 2005. 264 p.
[3] Silva VRL. [Desenvolvimento de formulações cosméticas hidratantes e avaliação da eficácia por métodos biofísicos.] Tese doutorado – FCF – USP. 2009.
[4] Michaels AS, Chandrasekaran SK, Shaw JE. Drug permeation through human skin: theory and in vitro experimental measurement. Am Inst Chem Eng J. 1975;21:985-96.
[5] Addor FAS, Aoki V. [Barreira cutânea na dermatite atópica.] An Bras Dermatol. 2010;85(2):184-94.
[6] Co-citação de: Salminen, Jr.W.F. [Integrating toxicology into cosmetic ingredient research and development.] International Journal of Cosmetic Sciences, 24.217.224, 2006. Disponível em: http://www.sbp.com.br/pdfs/painel-JJ-Fasciculo-5.pdf
[7] Anvisa. Câmara Técnica de Cosméticos – CATEC. [Utilização da Uréia em produtos cosméticos]. Parecer Técnico nº 7, de 21 de outubro de 2005.
[8] Atrux-Tallau N, Romagny C, Padois K, Denis A, Haftek M, Falson F, Pirot F, Maibach HI. [Effects of glycerol on human skin damaged by acute sodium lauryl sulphate treatment]. Archives of Dermatological Research. 2010 Aug;302(6):435-41. doi: 10.1007/s00403-009-1021-z. Epub 2009 Dec 31.
[9] Telofski LS, Morello AP 3rd, Mack Correa MC, Stamatas GN. [The infant skin barrier: can we preserve, protect, and enhance the barrier?]. Dermatology research and practice. 2012;2012:198789.
[10] Material técnico do fabricante – Sasol. Disponível em: http://www.russochemie.ru/upload/iblock/1ec/COSMACOL_series.pdf
[11] Material técnico do fabricante – IQL. Disponível em: http://www.iqlasem.com/media_items/file/IQL_Emolid%20CC_2013.pdf

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